Canetas emagrecedoras ilegais: enfermeira é presa e médico é investigado no interior de SP

Enfermeira é presa durante operação contra esquema ilegal de canetas emagrecedoras Uma enfermeira de 47 anos foi presa em Casa Branca (SP), nesta quarta-feira (8), durante uma operação de combate à venda de canetas emagrecedoras sem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Durante cumprimento de mandados de busca, a enfermeira foi presa em flagrante pois estava com amostras ilegais de tirzepatida. A mulher foi indiciada por venda de produtos medicinais sem registro na Anvisa ou de procedência ignorada e levada para a delegacia. Ela aguarda audiência de custódia. 📱 Siga o g1 São Carlos e Araraquara no Instagram Segundo o delegado Wanderley Fernandes Martins Jr., um médico e um agente da Fundação Casa também foram identificados no esquema, mas não foram encontrados nesta manhã. As identidades da presa e dos investigados não foram divulgadas e o g1 não conseguiu localizar a defesa deles até a última atualização desta reportagem. “O médico não estava no consultório no momento da busca. Segundo a secretária, estava atendendo em outra cidade. O funcionário da Fundação Casa também não estava. O vizinho disse que ele tinha saído para trabalhar. Vamos identificar em qual unidade da Fundação ele trabalha”, disse o delegado ao g1. A polícia apreendeu frascos de tirzepatida, contabilidade das vendas e aplicações, além de seringas e aparelhos celulares. A tirzepatida, usada no medicamento Mounjaro, depende de autorização da Anvisa para ser importada e vendida no Brasil. Enfermeira é presa durante operação contra esquema ilegal de canetas emagrecedoras em Casa Branca (SP) Polícia Civil Mais notícias da região: SUMIÇO: Piloto de avião de SP desaparece após viajar para entrevista de emprego no Pará SAÚDE: Santa Casa de Araras tem falta de lençol, travesseiro e até papel toalha INVESTIGAÇÃO: Homem em surto com faca é morto pela PM em São Carlos Aplicação e venda dos produtos A “Operação Fórmula Mágica”, conduzida pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) e Delegacia Seccional de Casa Branca, cumpriu mandados de busca em três endereços da cidade. O delegado explicou que a enfermeira e o médico faziam as aplicações, enquanto o agente oferecia os produtos pela internet. “Essa investigação começou a partir do oferecimento de produtos em redes sociais por parte da enfermeira e do agente da Fundação Casa. Chegamos ao médico hoje, a partir das análises preliminares dos objetos eletrônicos apreendidos, por isso fomos até o consultório dele”, disse. Enfermeira é presa e médico é investigado em esquema de canetas emagrecedoras Em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, o delegado contou que, na casa da enfermeira, foram apreendidas amostras de tirzepatida, uma ainda completamente cheia e outra parcialmente consumida, além de diversas seringas usadas na aplicação. “A Vigilância Sanitária do município acompanhou a ação e constatou a irregularidade desses produtos. Na clínica, foi encontrada uma espécie de ampola também irregular e, na residência do servidor público, foram encontrados esteroides anabolizantes oriundos do Paraguai, que também são irregulares e se enquadram no mesmo artigo do Código Penal”, disse o delegado. A enfermeira foi encaminhada à cadeia de São João da Boa Vista (SP), onde vai aguardar a audiência de custódia. Já o médico e o funcionário público serão intimados e ouvidos. Segundo a polícia, os três vão responder por comercialização de medicamentos irregulares, crime cuja pena varia de 10 a 15 anos de prisão. O delegado disse ainda que as investigações continuam para identificar os fornecedores dos produtos. Venda de canetas emagrecedoras no Brasil caneta emagrecedora Freepik Segundo a Anvisa, o Brasil importou mais de 130 kg de insumos farmacêuticos ativos (IFAs) para a produção de tirzepatida nos últimos seis meses. O volume é suficiente para a produção de cerca de 25 milhões de doses de canetas manipuladas no país. ➡️Os IFAs são as substâncias ativas que dão origem aos medicamentos. No caso da tirzepatida, esse insumo é a base para a produção das canetas utilizadas por pacientes. Os dados levam em conta a substância usada em farmácias de manipulação. Com isso, a Anvisa quer endurecer as regras para a manipulação. Uma atualização da norma que permite a produção do medicamento em farmácias de manipulação vai ser revista. A previsão é de que seja divulgado no dia 15 de abril. Em fevereiro, o g1 revelou que o país tinha seis casos de morte por pancreatite causados por caneta emagrecedora. Além de mais de 60 mortes relacionados ao uso desse tipo de medicamento. REVEJA VÍDEOS DA EPTV: Veja mais notícias da região no g1 São Carlos e Araraquara