Alunos criam prótese 3D para colega de sala que nasceu sem parte do braço no interior de SP

Alunos da Etec criam prótese de impressão 3D inspirada em colega que nasceu sem mão Os alunos do curso de Mecânica da Escola Técnica Estadual (Etec) Francisco Garcia, de Mococa (SP), usaram o conhecimento adquirido em sala de aula para criar um projeto inspirado em uma colega da turma que nasceu sem parte do braço: uma prótese de mão feita por impressão 3D. Além de ser a inspiração, a estudante Maria Alice Francisco, de 18 anos, também fez parte de todo o processo de desenvolvimento com o grupo. O projeto, nomeado Adaptamão, passou por diversas fases, testes e evoluiu até se classificar em competições e feiras. 📱 Siga o g1 São Carlos e Araraquara no Instagram Os estudantes receberam uma impressora 3D no final de 2024. Durante o processo de aprender a manusear o equipamento, a turma se interessou em desenvolver peças diferentes e chegou à ideia de projetar algo pensando em Maria. Em conversa com o g1, a aluna Maria Alice, o companheiro de grupo Lucas Marques de Souza e o professor orientador Jayro do Nascimento Neto falaram sobre a ideia e os desafios enfrentados na criação e desenvolvimento da prótese. Veja os detalhes abaixo 👇 Empatia coletiva Grupo da Etec de Mococa (SP) criou prótese de mão em impressora 3D. Colega de turma que nasceu sem parte do braço foi inspiração Arquivo pessoal O professor Jayro contou que, após as primeiras impressões, pediu para que os estudantes formassem grupos e procurassem projetos que tivessem o desejo de imprimir no equipamento 3D. O grupo de Maria falou sobre a ideia de criar um polegar. Cientes da condição da colega, os demais grupos informaram que queriam projetar os outros dedos da mão da Maria. A partir daí, a possibilidade de criar uma mão inteira surgiu. Após juntar os dedos, o próximo passo foi fazer a palma. A união dos alunos em prol de desenvolver um projeto com capacidade de ajudar alguém deixou o professor admirado e contente. Maria, que surgiu como o 'elo' que uniu todos em busca de um objetivo, também se sentiu feliz com a movimentação, antes mesmo da evolução do projeto. "Mesmo a nossa sala não sendo tão junta, tinham os grupinhos, quando foi falado para ajudar todo mundo se uniu e falou que ia ajudar. Achei isso bem interessante, bem legal. Teve apoio de todos", lembrou a estudante. Mais notícias da região: SAÚDE: Pacientes denunciam calor, baratas e falta de estrutura em hemodiálise VÍDEO: 'Boiadeirinha' realiza sonho ao ser buscada na escola por touro de estimação DESCASO: Praça tomada pelo mato vira área de risco em bairro de Araraquara Para a apresentação formal do projeto da prótese em feiras e competições, três estudantes foram selecionados para apresentar e representá-lo nos eventos. O grupo foi formado por Maria Alice, Lucas e outro colega, Fabrício Bueno Francisco. No entanto, os estudantes fazem questão de dizer que o trabalho foi realizado em conjunto com toda a turma do curso de mecânica, contando com a contribuição e entusiasmo de todos. Projeto de alunos do curso de Mecânica da Etec Mococa (SP) nasceu do desejo de ajudar a colega Maria Alice, que nasceu sem parte do braço Acervo pessoal Criando a prótese 🦾 Os materiais enviados para a impressora 3D não eram flexíveis, resultando em diversos dedos criados pelos alunos, que buscaram uma forma de dobrá-los. Eles pesquisaram filamentos e produtos, não encontrados em Mococa, que oferecessem a mobilidade necessária. A jornada de desenvolvimento da prótese, de acordo com o professor, tornou-se um grande estudo sobre diferentes áreas, pois os alunos precisaram estudar sobre os insumos, flexibilidade e aprofundar nas capacidades de funcionamento da impressora. Os estudantes tiveram a ajuda da turma do curso de Técnico de Química, da mesma Etec, para entender quais matérias-primas funcionariam juntas e atenderiam a necessidade que tinham de construir a prótese de forma que ela dobrasse os dedos. VEJA A REPORTAGEM COMPLETA DO EPTV2: Estudantes de Mococa criam mão mecânica para ajudar colega de classe Foram diversas próteses criadas ao longo do processo, que durou cerca de nove meses durante 2025. A primeira versão tinha encaixe e fixação próxima ao punho, mas perceberam que não seria possível mecanizar o movimento dos dedos. A falta de espaço para uso da força superior do braço impedia a flexibilidade. Os testes seguiram e os alunos concluíram que a prótese precisava de um apoio acima do cotovelo, englobando o bíceps, porque o movimento de dobrá-lo seria o responsável por puxar os tendões anexados e movimentar a mão e os dedos. Em todas as etapas, Maria Alice experimentava e avaliava as novas criações, indicando o que precisava ser alterado para que ficasse mais funcional e atendesse suas necessidades. Melhoria nos relacionamentos Apesar de ter se tornado a inspiração da turma, Maria Alice é tímida e reservada. O professor contou que ela escondia a condição, sempre indo de blusa de frio mesmo durante o calor, e que só descobriu depois de mais de um ano. A estudante, que é de outra cidade, explicou que só conhecia duas pessoas na sala dia. No entanto, a iniciativa do projeto possibilitou que ela tivesse contato com outros colegas da turma e se soltasse. "Eu nunca mostrava [o braço]. Para mim, é um pouco vergonhoso ainda. Estou no processo de viver isso, de mostrar. Gostei muito de participar porque pretendo ajudar outra pessoa que passou pela mesma situação que eu. Estou muito feliz com o projeto", contou. Ter sido a inspiração e feito parte do desenvolvimento da criação foi positivo para a jovem. Ela contou que o processo a ajudou com a timidez e vergonha da questão física com a falta de parte do braço, principalmente pela participação e engajamento dos colegas. "Quando eu vi todo mundo se propondo a ajudar, eu vi que eu não estava sozinha, que tinha muita gente comigo. Achei muito interessante, fiquei muito feliz e me soltei realmente na sala e outras coisas", celebrou. Estudante Maria Alice Francisco nasceu sem parte do braço esquerdo e inspirou turma da Etec Mococa (SP) na criação da prótese 3D Arquivo pessoal Objetivos futuros O projeto Adaptamão conquistou o segundo lugar no "Desafio Learning Sectors: Acelerando no Circuito da Aprendizagem", organizado pelo British Council, e também foi apresentado na 16ª Feira Tecnológica do Centro Paula Souza (Feteps), evento que apresenta inovações das Etecs. Mas o objetivo não é parar: Maria Alice tem planos para o futuro do projeto e pretende usar o curso de eletrotécnica para acrescentar automação à prótese, que, até o momento, é ainda uma criação mecânica. "Nossa ideia é colocar arduino e servo motores porque a gente consegue colocar a programação que quiser. O plano é colocar cinco servos, um para cada fiozinho para que ele puxe, sem precisar de esforço do braço, e fechar o dedo apenas com um toque de botão", explicou. Ela ressaltou ainda que as tecnologias e materiais citados são de baixo custo, assim como os já usados para construção da prótese, mantendo a proposta de ser um produto mais barato e que consiga atender quem precise. Incluindo os custos gerais de produção, gastos de energia devido ao tempo que a impressora fica ligada para fazer a impressão e com a adição da automação, seria possível entregar uma prótese funcional por menos de R$ 300, afirmou o professor. A principal intenção dos estudantes e do professor não é patentear ou vender o protótipo, mas evoluir o processo de impressão para criar parcerias entre ONGs e conseguir ajudar mais pessoas que precisam da prótese. Alunos criaram prótese de impressão 3D para colega de sala que nasceu sem parte do braço em Mococa, SP Arquivo Pessoal REVEJA VÍDEOS DA EPTV CENTRAL: Veja mais notícias da região no g1 São Carlos e Araraquara