Nas redes sociais, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, aparece dançando salsa, nos braços do povo, e comendo churros. Seu opositor, Edmundo González Urrutia, prefere apostar em vídeos em que fala diretamente para a câmera e em publicações em que enfatiza seu lado familiar e católico. Na Venezuela, onde o governo detém o controle dos principais meios de comunicação, a oposição aposta nas redes sociais para alcançar o eleitorado. Maduro também tenta aumentar seu público por meio de publicações nas redes. “Maduro tenta usar as redes [sociais] para atrair voto jovem. Ele é de um bairro muito popular de Caracas, dança salsa (muito bem) e tenta mostrar essa imagem nas redes porque ninguém quer ver a TV do governo”, disse Paula Ramón, jornalista venezuelana baseada nos Estados Unidos. Com 74 anos, González Urritia contou ao g1 que até o lançamento de sua candidatura, no final de abril, não utilizava redes sociais. Agora, na reta final da campanha, já acumula mais de um milhão de seguidores no TikTok, rede onde se tornou mais popular. “As redes sociais são muito ativas e, em alguns casos, são determinantes. Por exemplo, para dar uma ideia, eu já tenho um milhão de seguidores no TikTok, que, pelo que entendo, é um número bastante considerável”, disse Urrutia. Veja os números dos candidatos: TikTok: 1,1 milhãoInstagram: 451 milX: 159 mil TikTok: 2,2 milhõesInstagram: 1,6 milhãoX: 4,8 milhões TikTok: 3 milhõesInstagram: 4,2 milhõesX: 4,6 milhões Corina tenta arrastar seu capital político – e votos – para González. Em suas últimas postagens no Instagram, em cerca de metade aparecia acompanhada de Urrutia. Eleições na Venezuela: como as redes sociais podem impactar o eleitorado WhatsApp como canal de informação Além do controle da televisão e meios de comunicação, venezuelanos relatam que portais de notícias muitas vezes são bloqueados no país. Com este cenário, a jornalista venezuelana Paula Ramón disse que se tornou comum usar os aplicativos de mensagem para se informar. “O WhatsApp realmente é útil no sentido que dá para receber alertas de notícias em canais de transmissão. O Facebook também ainda é muito popular, e as redes sociais no país realmente não são só de jovens. Pessoas da terceira idade utilizam muito bem as redes porque tiveram que aprender para se informar”. “E também se leva em consideração que milhões de venezuelanos estão fora [do país], as redes são o canal de comunicação com a Venezuela, lá dentro as pessoas dependem das redes para tudo”, afirmou a jornalista venezuelana. Reação de Maduro a críticas de Lula não é própria de uma democracia, diz Edmundo González Eleição na Venezuela A eleição na Venezuela está marcada para domingo (28), com os locais de votação funcionando das 6h às 18h, pelo horário local (7h – 19h, em Brasília). Segundo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), mais de 20 milhões de pessoas estão aptas a votar. A campanha eleitoral no país terminou na quinta-feira (25). O vencedor assume o cargo em 10 de janeiro de 2025. A campanha foi marcada por intensa troca de acusações entre os dois lados. Enquanto Maduro classifica a oposição como “extrema direita”, González e aliados denunciam irregularidades eleitorais e até mesmo um atentado. Corina Machado era a escolhida da coalizão de oposição para enfrentar Maduro nas urnas e favorita nas pesquisas de intenção de voto, porém ela foi impedida de concorrer pelo Supremo venezuelano, alinhado ao governo. González assumiu a chapa formada por meio de uma coalizão da oposição. O ex-diplomata aparece na liderança em pesquisas de intenção de voto. Desde então, Corina impulsiona a campanha de Edmundo, que era pouco conhecido do público venezuelano quando foi escolhido pela oposição para o pleito, em abril. Nas semanas finais da campanha, Maduro trocou farpas com o presidente Lula. Depois de Lula se dizer “assustado” com a fala do venezuelano sobre um possível banho de sangue em caso de derrota nas urnas, Maduro, sem citar nomes, disse que quem se assustou deveria tomar um chá de camomila. Gonzáles afirmou ao g1 que a reação de Maduro a críticas não é própria de uma democracia. “Lula tem sido um aliado do governo por muito tempo, o governo sabe disso e o tratou como um aliado quase incondicional. Agora, este é um governo que tem ‘a pele’ muito sensível e, quando fazem alguma crítica, reage com circunstâncias como estas. Quando diz algo que não gostam, [aí] já não é mais o aliado de sempre. Por isso, tem essas reações que não são próprias de uma sociedade democrática”. EXCLUSIVO: Edmundo González fala sobre disputa contra Maduro nas eleições da Venezuela
Maduro dança salsa, e Edmundo González mostra lado familiar: presidenciáveis usam redes sociais para conquistar eleitores na Venezuela
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