Lar Cidades Com carta endereçada à ministra Marina Silva sobre ameaça a manguezais, estudante brasileira vence prêmio internacional

Com carta endereçada à ministra Marina Silva sobre ameaça a manguezais, estudante brasileira vence prêmio internacional

por admin
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A estudante de uma escola particular de Piracicaba (SP), Juliana Zatarim, de 15 anos, ficou entre os seis vencedores do prêmio internacional “Cartas por Nossas Florestas e Oceanos”, promovido pelo Pulitzer Center. Ela foi a única brasileira entre os premiados no concurso que solicitava a escrita de cartas direcionadas a líderes mundiais sobre temas de preservação ambiental. A jovem escolheu direcionar sua carta para a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, retratando a situação preocupante das mudanças climáticas, com foco especial nos manguezais amazônicos, propondo e solicitando medidas para amenizar o quadro. Juliana teve como concorrentes 700 alunos em toda a América Latina. Ela foi orientada pela professora de língua espanhola do colégio, responsável pela orientação no concurso, Sandra Del Valle. Ao g1, a professora de espanhol explica que soube da existência do concurso por meio de um ex-aluno do colégio onde leciona, formado em Jornalismo. “No mês de junho, me inscrevi para ser orientadora do concurso, selecionaram 20 pessoas de toda América Latina. Fui escolhida entre mais de 200 candidatos. Participei do treinamento no mês de julho. Em agosto, ministrei a oficina para orientar os jovens interessados em participar do Concurso. Enviamos um total de 36 cartas. Recebi a colaboração das professoras de Redação do colégio, Tamara e Debora. Participava toda a América Latina. A carta da nossa aluna concorreu com mais de 700 cartas enviadas”, detalhou a professora de Juliana. O prêmio 🏅 O Pulitzer Center, responsável pelo prêmio, é uma organização de mídia noticiosa situada na capital dos Estados Unidos, Washington DC. A ideia do concurso das cartas é incentivar a escrita persuasiva e a tomada de ações acerca da proteção ambiental. Os participantes precisavam escrever uma carta de no máximo 500 palavras, baseada em alguma reportagem publicada no site do Pulitzer nas categorias Florestas, Oceanos, Clima e Trabalho. O prêmio é de 250 dólares americanos, equivalentes a cerca de R$ 1.500, voltados para a implementação de ações ambientais nas comunidades onde vivem os alunos. “Estou lisonjeada principalmente por poder ajudar o nosso país com a doação. Espero que meu ato consiga conscientizar as pessoas, principalmente as pessoas da minha idade”, conta Juliana. A carta ✉️ Juliana foi orientada pela professora Sandra, da disciplina de língua espanhola — Foto: Léa Fabris Juliana selecionou uma matéria na categoria oceanos para basear seu trabalho. Com título de “Mais extensos do mundo, mangues amazônicos são ameaçados pelas mudanças climáticas”, o conteúdo fala sobre o ecossistema que se estende por quase 8 mil quilômetros na costa norte do Brasil e que está ameaçado pelas alterações nos padrões de temperatura e clima da Terra. “Tudo está completamente interligado, porque vivemos em um único planeta e dependemos dos recursos naturais para a nossa sobrevivência. O aumento do nível do mar e das temperaturas está a destruir os mangues, afetando o seu papel como habitat dos animais e a sua capacidade de capturar e armazenar dióxido de carbono”, explica a estudante. Ao longo da carta escrita por ela, Juliana descreve a urgência e necessidade de que haja conscientização social e de políticas climáticas severas para reduzir a emissão de gases do efeito estufa. Diante da sua preocupação, a estudante também estabelece as metas do que pretende fazer com o prêmio recebido. “É isso o que proponho na minha carta, no intuito de priorizarmos a proteção ambiental. Estou muito feliz com a premiação e minha intenção é doar o prêmio para um projeto de reflorestamento.” Apoio familiar Juliana com seus pais, Marcelo e Vanda Cristina Zatarim, e o irmão Luiz Fernando Zatarim — Foto: Arquivo Pessoal O pai de Juliana, Marcelo Zatarim, é produtor rural em Piracicaba, sabe da importância dos projetos de proteção ambiental e apoia totalmente as escolhas e decisões da filha. A notícia de que ela havia sido a brasileira ganhadora do prêmio foi um presente para ele e o resto da família. “Não cabe o orgulho de ter uma filha que está fazendo por merecer. Tá estudando, tá buscando. Veio a notícia que foi um presente de natal pra nós. A gente não sabia o que pensar de tanto orgulho”, relembra. Ele conta que a filha o informou de que o trabalho que ela desenvolveu e a fez ganhar o prêmio foi pensando no trabalho do pai, que ela cresceu observando. Quanto à destinação do prêmio, Marcelo está ajudando Juliana. Por meio de seu conhecimento e associação no meio rural, eles estão negociando a compra de diferentes tipos de mudas para plantio e reflorestamento com uma empresa local. As mudas são de espécies de árvores que variam desde o pau-brasil até ipê, todas nativas. “A gente [família] fica contente que a Ju está tentando fazer com que o mundo fique melhor, tentando mandar uma mensagem para que todo mundo preserve e faça da melhor forma possível”, concluiu. VÍDEOS: Tudo sobre Piracicaba e região

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